11 mulheres africanas que marcaram a história e mudaram o mundo

28.08.2025

A ancestralidade das mulheres africanas mostra que, em diferentes épocas, elas foram fundamentais para a resistência, a política e a cultura do continente. Entre os séculos XVII e XIX, lideraram exércitos e mobilizaram comunidades contra o colonialismo europeu. Hoje, são presidentes, economistas, escritoras e artistas que ocupam espaços de destaque no cenário internacional.

A seguir, reunimos 11 mulheres africanas que marcaram a história e mudaram o mundo, divididas entre aquelas que resistiram à colonização e aquelas que atuam no presente, transformando a realidade do continente.

Mulheres africanas contemporâneas que mudaram o mundo

No século XXI, as mulheres africanas continuam a desempenhar papéis centrais na política, na economia, na literatura e na arte. Elas não apenas ocupam espaços de liderança em organizações internacionais e governos, como também preservam tradições culturais e criam caminhos de inovação para novas gerações. De presidentes a economistas, de escritoras a artistas, essas mulheres mostram que a África não é apenas berço de ancestralidade, mas também de transformação contemporânea. Suas trajetórias provam que a luta pela igualdade de gênero e pelo reconhecimento do papel feminino continua a inspirar todo o mundo.

Ellen Johnson Sirleaf – a primeira presidente eleita da África

Em 2005, Ellen Johnson Sirleaf fez história ao se tornar a primeira mulher eleita presidente na África, na Libéria. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2011 pelo seu papel na reconstrução do país após guerras civis e pelo incentivo à democracia. Durante seus mandatos, enfrentou desafios como corrupção e pobreza, mas abriu caminho para que outras mulheres africanas ocupem espaços políticos.

Ngozi Okonjo-Iweala – liderança global no comércio internacional

A economista nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala é a primeira mulher e primeira africana a comandar a Organização Mundial do Comércio (OMC). Com graduação em Harvard e PhD no MIT, foi ministra das Finanças na Nigéria, onde reduziu a dívida externa e implementou políticas de transparência na indústria petrolífera. Sua atuação a consagrou como uma das vozes mais influentes da economia mundial.

Tsitsi Dangarembga – literatura e ativismo político

A escritora e cineasta do Zimbábue, Tsitsi Dangarembga, ganhou reconhecimento com o romance Nervous Conditions (1988), considerado um clássico da literatura africana contemporânea. Em 2020, foi presa durante protestos pacíficos por reformas políticas em Harare, mostrando que sua atuação vai além da arte. Tsitsi é símbolo de resistência cultural e engajamento social.

Nike Davies-Okundaye  – arte como empoderamento feminino

Mulheres africanas na resistência ao colonialismo

Durante os séculos XVII a XIX, diversas mulheres africanas se tornaram protagonistas na luta contra o colonialismo europeu no continente. Elas não apenas comandaram exércitos e lideraram batalhas, mas também usaram a diplomacia, a espiritualidade e a organização comunitária como armas de resistência. 

Rainhas, guerreiras e líderes espirituais mobilizaram seus povos diante da escravidão, da exploração econômica e da tentativa de apagamento cultural. Suas trajetórias mostram que a luta anticolonial africana não foi apenas masculina: as mulheres estiveram no centro das decisões, garantindo que a memória da resistência permanecesse viva até hoje.

Nzinga de Matamba (1582–1663) – diplomacia e guerra contra os invasores portugueses

A rainha Nzinga, também conhecida como Ginga, governou os reinos de Ndongo e Matamba, em Angola, no século XVII. Reconhecida por sua habilidade política e militar, resistiu à expansão colonial portuguesa tanto pela guerra quanto pela diplomacia. Formou alianças estratégicas, inclusive com os holandeses, e fortaleceu exércitos para enfrentar o tráfico de escravizados. Sua liderança a consagrou como símbolo da luta anticolonial em Angola e inspiração para movimentos de resistência em toda a África.

Kahina (século VII) – a guerreira berbere contra a expansão árabe

Kahina, também chamada Dahlia al-Kahina, foi uma líder militar e espiritual que uniu tribos berberes no norte da África no século VII. Comandou a resistência contra a expansão árabe no Magrebe e manteve, por cerca de cinco anos, um território independente. Morta em combate, tornou-se símbolo da identidade berbere e referência de resistência cultural e política, lembrada até hoje na Argélia e em toda a região como inspiração para a valorização da autonomia e da cultura de seu povo.

Amina de Zazau (século XV) – a rainha guerreira da Nigéria

A rainha Amina, também chamada de Aminatu, governou Zazau, na atual Nigéria, no século XV. Era líder da cavalaria hauçá, ampliou territórios e fortaleceu rotas comerciais que conectavam o Saara a outras regiões da África. Amina mandou construir muralhas defensivas, conhecidas como “muros de Amina”, que simbolizam seu legado estratégico. Seu nome ainda é lembrado como uma das mais importantes líderes militares do continente.

Yaa Asantewaa (1840–1921) – a guardiã do Trono de Ouro

A rainha-mãe Yaa Asantewaa, de Ejisu, no Império Axânti (atual Gana), entrou para a história ao liderar a “Guerra do Trono de Ouro” em 1900. Quando os britânicos exigiram o trono sagrado do povo Axânti, ela incitou uma rebelião contra a colonização. Seu discurso célebre inspirou homens e mulheres a resistirem até o fim. Capturada e exilada, Yaa Asantewaa não viu a independência de Gana, mas sua luta foi decisiva para a conquista da emancipação em 1957.

Nehanda Charwe Nyakasikana (1840–1898) – a voz espiritual do Zimbábue

Nehanda, líder espiritual do povo shona, foi uma das principais articuladoras da resistência contra a colonização britânica no Zimbábue durante a Primeira Guerra Chimurenga (1896–1897). Sua liderança mobilizou comunidades e fortaleceu a luta pela autonomia do povo shona. Capturada e enforcada em 1898, tornou-se mártir e símbolo do nacionalismo zimbabuense. Até hoje, chamada de “avó Nehanda”, é referência de resistência, força espiritual e preservação da identidade cultural.

Amazonas do Daomé (séculos XVIII–XIX) – as guerreiras do Benin

No reino do Daomé (atual Benin), milhares de mulheres integraram a tropa de elite chamada Mino, ou “nossas mães”. Treinadas para a guerra, lutaram com coragem e disciplina contra invasores franceses nas décadas de 1890. Conhecidas pelos europeus como “amazonas do Daomé”, tornaram-se símbolo da força feminina e da resistência militar. Até hoje, sua memória inspira a valorização da liderança e da coragem das mulheres na história africana.

África: Cultura, História e Política

As trajetórias dessas mulheres africanas mostram como o papel feminino foi determinante na história do continente. Durante o colonialismo, elas resistiram com armas, espiritualidade e liderança comunitária. No presente, ocupam cargos políticos, culturais e econômicos de relevância global.

Reconhecer essas histórias é compreender que a cultura, a história e a política do continente da África não podem ser contadas sem o protagonismo das mulheres. Da resistência anticolonial às cadeiras de liderança mundial, elas moldaram sociedades e seguem inspirando novas gerações. 

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Fonte: Parte das informações é baseada em dados do blog Ensinar História – Joelza Ester Domingues.


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