Dabke: a dança símbolo da união no Oriente Médio

24.04.2024

Do árabe, dabke significa sapatear, bater no chão com o pé.

A dança, típica da área do Levante – Palestina, Líbano, Jordânia, Síria e uma porção da Turquia -, é um dos ritmos mais animados dos países árabes e acontece principalmente em casamentos, aniversários e datas comemorativas ou folclóricas. 

É uma dança em grupo que assume a forma de um semicírculo ou “fila” com os dançarinos, acompanhada de coreografias caracterizadas com batidas de pés, pulos, aplausos e gritos. Geralmente, há uma figura líder, posicionada como a primeira pessoa da fila, chamada de “raas” (“cabeça” em árabe), que conduz a dança e realiza os passos mais elaborados. Cada comunidade possui seu dabke, onde as batidas dos pés, principalmente, vão se diferenciar.

Grupo de pessoas dançando dabke na rua
Crédito: Intal no Flickr.

Origem

Acredita-se que o dabke surgiu entre o Líbano e a Palestina a partir de uma prática antiga, quando o telhado das casas eram reforçados com plantas, galhos e lama. Para a reforma, era necessário compactar novamente materiais nos telhados e isso era feito colocando e pisando em cima da nova lama. 

Como o trabalho era árduo, era comum que a atividade fosse feita em grupos de vizinhos e/ou familiares que formavam uma fila, ficavam de mãos dadas e batiam os pés na lama para compactá-la novamente. Para evitar que o trabalho se tornasse monótono e cansativo, alguns cantavam poesias e dançavam ao ritmo delas. Diz-se que daí surgiu o dabke. 

Música e dança

Com o passar do tempo, instrumentos foram adicionados aos cantos, dando origem à dança e à música do dabke. Diferentes tipos de dabke podem ser percebidos pela sua música e pela região de onde vêm. Os instrumentos mais tradicionais são: o alaúde (oud), o tablah ou derbak (um pequeno tambor de mão), mijwiz (espécie de clarinete com dois canos), o tabel (similar a um tambor) e o arghul (espécie de clarinete com buracos nos dedos em um dos tópicos). As músicas de dabke mais atuais misturam instrumentos tradicionais com batidas eletrônicas. 

Na dança também se usam alguns adereços. Um deles é o masbaha, um colar de contas/terço típico árabe, que é girado por quem está “puxando” o dabke. No lugar do “terço”, o primeiro da fila também pode balançar um lenço de pano (mandil), um bastão ou às vezes até uma espada. 

O Dabke como símbolo de união dos povos levantinos

As expressões artísticas são um reflexo dos acontecimentos históricos do povo. 

Na Palestina, as manifestações artísticas costumam expressar sua luta pela libertação nacional e resistência. O dabke, por exemplo, se tornou um instrumento de resistência desde que foi proibido em 1948 pelo apartheid do regime sionista de Israel.

“Nós cantamos e dançamos nossas danças tradicionais porque nossos ancestrais costumavam dançar o Dabke como forma de resistência” (Palestino Mosa’ab Fodah em entrevista ao Middle East Eye).

Nos movimentos fortes, de mãos dadas e alinhados, os palestinos afirmam que a dança é uma resistência pacífica que representa a união e a unidade do seu povo. 

Quando a existência de um povo é ameaçada por diversos conflitos, a cultura assume muito claramente um papel simbólico de união e resistência. Na Palestina e em outros territórios do Levante, o dabke faz parte da vida cultural. Na diáspora, porém, costumes e tradições têm seu destaque potencializados como forma de resistência e de promoção da cultura de um povo. O dabke, assim como outras demonstrações culturais, contribui para manter a lembrança da (r)existência de povos, da atualidade das suas lutas e força.

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Aula de dabke da Abraço Cultural. Crédito: Victor Curi.

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Roberta de Sousa

Diretora de comunicação e cultura na Abraço Cultural

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