
Pequenas escolhas podem fortalecer culturas, saberes e economias locais
Quando pensamos em decolonização, é comum associarmos o tema a grandes processos históricos e políticos. Mas questionar heranças coloniais e repensar hábitos também podem ser encarados como pequenos atos de ação para serem inseridos como parte do cotidiano. Pensar com intencionalidade nas escolhas que fazemos ao comprar, viajar, estudar, consumir cultura e nos relacionar podem ser grandes aliados em um viver mais decolonial.
Decolonizar também significa ampliar nossas referências e reconhecer saberes e modos de vida que foram historicamente invisibilizados ou deslegitimados.
Por isso, reunimos 30 gestos decoloniais que podem ser incorporados ao dia a dia. Confira abaixo:
1. Prefira comprar de produtores pequenos, médios e locais
Além de movimentar a economia do território, essa escolha valoriza produtos, conhecimentos e modos de produção locais.
2. Valorize as línguas nativas de cada território
Uma língua carrega histórias, memórias e diferentes formas de compreender o mundo. Conhecer e valorizar as línguas de onde você vem, é uma forma de autoconhecimento e reconhecimento da potência da diversidade que nosso território carrega.
3. Pague um preço justo às pessoas locais
Valorizar o trabalho de quem produz e presta serviços é uma forma de contribuir para relações econômicas mais equilibradas.
4. Não romantize o país do seu colonizador
Questione as imagens de progresso e desenvolvimento construídas a partir de perspectivas coloniais.
5. Cozinhe as receitas da sua avó
Receitas também são memória. Recuperar pratos e modos de preparo ajuda a preservar conhecimentos entre gerações.
6. Não corrija ou zombe do sotaque das pessoas
Sotaques carregam identidade e território. Falar diferente do padrão dominante reflete a realidade da diversidade.
7. Apoie marcas, lojas e negócios locais
Sempre que possível, escolha consumir de iniciativas que movimentam a economia da sua comunidade.
8. Dê gorjeta em viagens nacionais da mesma forma que você daria no exterior
Nos casos em que a prática é interessante, possível e/ou esperada, valorize o trabalho de profissionais do turismo também dentro do seu próprio país.
9. Relembre e passe adiante práticas e conhecimentos locais
Aprender com pessoas mais velhas e compartilhar esses saberes ajuda a preservar conhecimentos transmitidos entre gerações.
10. Questione modelos de ensino que ignoram saberes do Sul global
Observe quais autores, pensadores e referências aparecem nos seus estudos e quais comumente ficam de fora.
11. Leia autores e autoras do seu país e assista a filmes nacionais
A produção cultural local pode revelar histórias e perspectivas muito mais próximas de nós e que não aparecem nas narrativas oficiais.
12. Aprenda a história do seu país a partir de perspectivas locais
Busque conhecer narrativas produzidas pelos próprios povos e comunidades do território, inclusive aquelas historicamente silenciadas.
13. Questione quem recebe o crédito pelo conhecimento
Muitos conhecimentos e tecnologias foram desenvolvidos por diferentes povos antes de serem difundidos globalmente. Reconhecer essas contribuições também é decolonizar.
14. Reconheça e valorize saberes de pessoas migrantes e refugiadas
Além de suas experiências, pessoas migrantes carregam conhecimentos, línguas e referências culturais que enriquecem as comunidades.
15. Questione por que “estudar fora” só significa Europa ou Estados Unidos
Ampliar o olhar para instituições e universidades da América Latina, África, Ásia e outras regiões também é uma forma de questionar hierarquias.
16. Viaje e valorize as culturas de países que foram colonizados
Conheça iniciativas locais, a história dos territórios e as pessoas que produzem cultura e conhecimento também em países que carregam as consequências de processos de colonização.
17. Dê nomes aos seus filhos no seu idioma
Nomes carregam identidade, memória e pertencimento. Não precisam ser adaptados para facilitar a pronúncia de outras pessoas fora do seu contexto ou realidade.
18. Não use idiomas hegemônicos para parecer mais inteligente
Aprender outras línguas amplia possibilidades, mas nenhuma língua deve ser usada para estabelecer superioridade sobre outras pessoas.
19. Fortaleça iniciativas que geram impacto social no seu território
Conheça e apoie projetos, coletivos e organizações que trabalham pela transformação social na sua comunidade.
20. Reflita sobre quais países você considera referência — e por quê
Questione por que determinados países aparecem automaticamente como referência em educação, cultura, inovação ou desenvolvimento.
21. Decore sua casa com a arte da sua cultura, região ou país
Valorize artistas, artesãos e produtores culturais do seu próprio território.
22. Questione quem aparece nos currículos escolares e universitários
Ampliar o espaço para pensadores indígenas, africanos, latino-americanos, asiáticos e de outras regiões ajuda a construir referências mais plurais.
23. Apoie a música local
Ouça artistas da sua cidade, região e país, vá a shows e conheça cenas independentes.
24. Valorize e use saberes tradicionais no seu cotidiano
Plantas, cuidados, técnicas, receitas e práticas tradicionais também são formas de conhecimento e patrimônio cultural.
25. Questione padrões de beleza que não nascem do seu território
Os padrões de beleza não são universais. Reflita sobre como mídia, história e relações de poder influenciam aquilo que consideramos bonito.
26. Viaje mais para dentro do seu próprio país
Conhecer diferentes regiões também é uma forma de valorizar a diversidade cultural do território onde vivemos.
27. Fortaleça iniciativas comunitárias e coletivas do seu entorno
Coletivos culturais, associações, feiras, bibliotecas e outros projetos locais podem produzir transformações importantes.
28. Valorize e aprenda com pessoas mais velhas da sua comunidade
Escutar suas histórias e conhecimentos é uma forma de preservar experiências que atravessam gerações.
29. Aprenda com pessoas de diferentes origens culturais
A convivência com diferentes culturas amplia nossa percepção sobre o mundo e cria oportunidades de troca e aprendizagem.
30. Valorize o aprendizado com outras culturas sem hierarquizá-las
Conhecer outra cultura não significa decidir qual é “melhor”. A interculturalidade parte da troca entre diferentes referências e conhecimentos.
Por que esses pequenos gestos importam?
Nenhuma dessas escolhas, isoladamente, transforma estruturas inteiras. Mas é no cotidiano que muitos valores são reproduzidos e também questionados.
Esses gestos podem fortalecer economias locais, valorizar saberes ancestrais, ampliar vozes e abrir espaço para outras referências e narrativas.
Decolonizar também é imaginar outros futuros.
Decolonizar não significa apenas revisitar o passado. É também perguntar que mundo queremos construir: quais conhecimentos queremos preservar, quais vozes queremos escutar e quem reconhecemos como produtor de cultura e conhecimento?
Ao fazer essas perguntas, abrimos espaço para diferentes formas de existir e compreender o mundo.
Na Abraço Cultural, acreditamos que o encontro entre diferentes culturas, línguas e histórias pode ser uma ferramenta de transformação social.
Aprender um idioma também pode ser uma oportunidade de ampliar repertórios, questionar referências e construir relações mais interculturais. Se fizer sentido para você, conheça nossos cursos de árabe, espanhol, francês e inglês ou nossas oficinas culturais.
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