A kufiya (كوفية): o lenço palestino sinônimo de resistência

16.01.2024

Você já deve ter visto uma kufiya, mas você conhece a história por trás deste lenço?

Origem

Originalmente, a kufiya – também chamada de keffiyeh, hattah ou shamagh – vem da cidade de Kufa, no Iraque, daí o seu nome. Apesar da sua origem, o lenço viajou e se espalhou por vários países do Oriente Médio. Inicialmente usada como proteção do sol, areia e vento em ambientes desérticos, seu uso foi adaptado pelas diferenças locais, variações nos padrões do tecido e também na forma de vesti-la. Aos poucos se tornou uma marca cultural, identitária e de resistência.

Desse modo, a kufiya também assumiu uma dimensão política.


A popularidade da kufiya tradicional

A kufiya tradicional, em preto e branco, ganhou popularidade durante a época da colonização britânica nos territórios palestinos, especialmente durante a Revolução Árabe de 1936, quando grupos da oposição ao Mandato Britânico começaram a usá-la e o povo palestino, como forma de mostrar sua solidariedade, também passou a utilizá-la, sobretudo, para evitar o reconhecimento fácil dos que estavam lutando contra o sistema. A conexão da kufiya com a terra é profunda e representa a resistência e a firmeza do povo palestino. Além de proteger do sol e poeira os camponeses que trabalhavam nos campos, foi ressignificado como um símbolo da ligação com a terra e as raízes agrárias do movimento de resistência.


Em contraste, o tarboush urbano representava uma faceta diferente da identidade palestina. Este chapéu, com sua influência otomana, estava associado à elite urbana e à liderança política. Ele simbolizava uma conexão com uma esfera mais cosmopolita e politicamente carregada. Durante a Revolta de 1936-1939, a kufiya se sobressai como símbolo da resistência palestina à política colonial britânica-sionista, denotando o caráter popular, rural e nacionalista da revolta.


O lenço para além do mundo árabe

Durante a década de 1960, houve um novo ressurgimento da kufiya como símbolo político, com o lenço usado por homens e mulheres.

Leila Khaled, uma ex-militante e membro da Frente Popular para a Libertação da Palestina que ficou conhecida por seu papel no sequestro de um avião em 1969, também foi frequentemente fotografada usando a kufiya enrolada no cabelo e no pescoço nas décadas de 1960 e 1970.

Yasser Arafat, ex-presidente da Palestina, foi uma figura muito importante para a popularização internacional do lenço como um símbolo da resistência palestina. Arafat portava a kufiya quase sempre que aparecia publicamente.

Ecoando a solidariedade à causa palestina, mais pessoas no Oriente Médio passaram a usar a versão preta e branca do lenço. Muitos ativistas, manifestantes pacifistas e políticos, como Nelson Mandela, já usaram o lenço para mostrar seu apoio ao povo palestino. Em alguns contextos, a kufiya também se transformou em um símbolo usado em manifestações por direitos humanos, contra guerras e de lutas anti-imperialistas.

Assim a kufiya se tornou um símbolo global de luta, de resistência e de memória do povo palestino.


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Roberta de Sousa

Diretora de comunicação e cultura na Abraço Cultural

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