Refúgio: 4 frases para evitar dizer a pessoas refugiadas

13.05.2024

Migrar é um ato humano presente desde os primórdios da história da humanidade. Embora os motivos para a migração possam ser os mais variáveis, muitas vezes eles trazem consigo um impacto direto na vida de quem migra e passar a viver uma nova realidade, em especial quando trata-se de migrações forçadas e refúgio.

Quando falamos sobre o refúgio especificamente, estes motivos podem ser ainda mais sensíveis e complexos em meio ao cenário social, político e cultural. Apesar da curiosidade em querer descobrir os motivos que levam uma pessoa a buscar refúgio em outro país, é importante ter empatia e refletir sobre os desafios que as pessoas em situação de refúgio enfrentam. Por isso, confira algumas frases que devem ser evitadas ao conversar com uma pessoa em refúgio e como substituí-las por abordagens mais humanas e acolhedoras.

Frases que devem ser evitadas

1) Por que você saiu do seu país?

Em um contexto de migração forçada, as razões do deslocamento são basicamente: conflitos armados, perseguição relacionada a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social/opinião política ou violações generalizadas de direitos humanos. Perguntar diretamente sobre o contexto pessoal de alguém que foi forçado a deixar seu país de origem, além de invasivo, pode reacender a lembrança de traumas e, em algumas situações, parecer uma demanda de justificativa da migração.

Como perguntar sobre a questão?

Se você tem curiosidade sobre a história pessoal de alguém, use uma comunicação mais acolhedora e aberta, como “Se você se sentir confortável, gostaria de ouvir um pouco sobre a sua história e o contexto do seu país”.

2) Mas aqui [no Brasil] a situação também é muito ruim / Mas aqui também tem guerra…

Sabemos que nosso país enfrenta muitos desafios e as pessoas em situação de refúgio que chegam nele provavelmente já conheceram algumas dessas dificuldades. Dizer isso não traz ganho: além de desencorajar alguém que já passa por uma situação complexa de reconstrução da sua vida em um novo país, em algumas situações também pode trazer um referencial de qualidade de vida e oportunidades que, infelizmente, não é a realidade em todo o mundo.

Como perguntar sobre a questão?

Se a intenção é alertar sobre os desafios do Brasil, você pode trazer algo como “Aqui também temos muitos desafios, mas espero que seja um lugar em que você se sinta bem e tenha boas oportunidades!”.

3) Você sente falta da sua casa/cidade/país?

Esta é uma pergunta cuja resposta será óbvia para a grande maioria das pessoas que estão em situação de migração forçada. Talvez, para a pessoa a quem você dirija esta pergunta, este ainda seja um assunto delicado e difícil de ser falado sem desencadear emoções fortes. Muitas vezes, pessoas em situação de refúgio deixam para trás a família, os amigos, animais de estimação, os afetos e objetos importantes de sua casa, seus costumes e tradições locais, etc.

Como perguntar sobre a questão?

Se você tiver curiosidade sobre o lugar de origem de alguém, tente ir pelo caminho “Você pode me contar sobre algo que você gosta muito do seu país?”.

4) Volte para o seu país!

Esta afirmação, além de violenta e excludente, é xenófoba – podendo ser sujeita a denúncia e enquadrada como crime. A migração é um direito humano fundamental, e as pessoas têm o direito de deixar seus países de origem para proteger suas vidas em situações de conflitos armados, perseguição ou violações generalizadas dos direitos humanos, buscando segurança em outros lugares. Como signatário de convenções e acordos internacionais relacionados ao refúgio, o Brasil tem a obrigação e a responsabilidade de receber e garantir o bem-estar das pessoas em situação de refúgio.

Portanto, neste caso não há outra alternativa além de não proferir essa frase para ninguém. É importante lembrar sempre que xenofobia é crime:

Lei Nº 9.459/97: enquadra aqueles que possam vir a praticar, induzir, incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Com pena passível de reclusão de um a três anos e multa.

Ilustração de mulher em situação de refúgio sendo julgada por dedos que apontam

De que outras formas posso ser mais amigável?

  • manifestações de acolhimento
  • demonstrações de respeito
  • escuta empática

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Roberta de Sousa

Diretora de comunicação e cultura na Abraço Cultural

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